30/01/2010

Virou poema

Precisamos mostrar que quando tocamos nosso violão despreocupadamente, isso é amor.

Precisamos mostrar que quando pulamos ao som de uma banda do interior do Rio, isso é amor.

Precisamos mostrar que quando jogamos uma lata em uma lixeira amarela e uma garrafa em uma lixeira vermelha, por carinho à nossa terra, isso é amor.

Precisamos mostrar que quando ajudamos à quem realmente necessita de ajuda, isso é amor.

Precisamos fazer que o nosso amor, que deve ser espelhado no amor de Cristo, contagie todos ao nosso redor.

Precisamos mostrar que o planeta só será salvo por uma nação que ama nossa terra, que ama os seu próximo, e que acima de tudo ama o seu Senhor.

Qualquer ação ou trabalho, precisa ser realizado com amor.

11/01/2010

Tony, o Poeta Beat

A vontade de escrever qualquer besteira sem no mínimo saber sobre o que exatamente escrever é frustrante, mas não é o meu caso! Gosto de escrever quando estou inspirado, e, aliás, eu nunca tinha reparado isso, mas amo escrever quando me inspiro em algo. Geralmente livros, músicas, LOST e Deus são as coisas que me inspiram. Também fico inspirado quando uso drogas! Mas hoje me sinto inspirado pelos meus amigos. Posso dizer que sou um cara de muitas amizades. Tenho grandes amigos que conheci na escola, na igreja, na internet... E eu os amo, apesar de quase nunca demonstrar isso.

Alguns dias atrás me peguei pensando no quanto essas pessoas são importantes para mim, e agora me pego pensando no quanto o resto do mundo não é importante pra mim. Acho que eu não ligaria em acabar com o mundo se eu pudesse ficar com os meus amigos! Todos eles. Isso não é bom. Creio que todos nós temos que amar as pessoas por elas simplesmente existirem. Mas também creio que esse amor, e aliás, todo e qualquer amor, não deveria ser um dever. Isso está mais para uma necessidade. O que definitivamente, se você pensar bem, não é a mesma coisa!

Tudo no que acredito me faz pensar que amar as pessoas, conhecendo-as ou não, é necessário. Eu sinto que preciso aprender a amar pessoas como Sthefany, Edir Macedo e Orochimaru, apesar de eles serem quem são. Preciso aprender a amar a torcida do Flamengo, assim como a torcida do Coritiba, e a do Cleveland Cavaliers também! Preciso amar Alexandre Nardoni, Mao Tsé-Tung e José Arruda, apesar de eles terem feito o que fizeram. Preciso amar as pessoas, sejam elas quem for! É com esse sentimento que me despeço. Obrigado por agüentarem ler. Amem! (eu não quis dizer “amém”)

[...] A verdade é que nós devemos amar os hippies, os liberais e mesmo os democratas, e que Deus quer que nós pensemos que eles são mais importantes que nós. Qualquer coisa menos do que isso não está de acordo com o verdadeiro ensinamento de Jesus. – Donald Miller

04/12/2009

Um fim pro Fim


Semana passada, num raro momento de homossexualidade psicológica, eu me via sentado, de frente para a televisão, assistindo ao programa Super Pop, da RedeTv. Digo com toda sinceridade que não lembro o motivo que me levou a parar de mudar os canais justamente nesse programa. E sem interesse nenhum, comecei a assistir! A apresentadora (Luciana Gimenez), juntamente com convidados, discutiam sobre um assunto assustador em si, mas muito conhecido e encarado com normalidade por tudo quanto é gente: O Fim do Mundo!

Macabro, não?! O tema do programa se baseava no lançamento do filme mais esperado no ano: 2012. No qual a trama se trata da destruição do planeta no dia trinta e um de dezembro de dois mil e doze. E sentados em torno do palco, estavam várias figuras estudadas (ou não), para o propósito de discutir a verdade do fim de tudo! Um islamita, um bispo, um cientista, um ateu, e uma *sensitiva. Acho que não esqueci de ninguém. Ah sim! Luciana Gimenez também expressava suas opiniões quando lhe era conveniente. Apesar de que “Gente, para tudo! To bege!” tenha sido a frase mais inteligente da apresentadora, sim, ela não deixava de falar o que achava sobre o fim do mundo!

No decorrer do programa, várias teses foram defendidas. A teoria científica para o fim do mundo, baseada em resultados de pesquisas. A teoria cristã sobre o apocalipse, baseada na bíblia. E até mesmo uma teoria sensitiva, baseada em um suposto extraterrestre invisível que se assentava ao lado da vidente. Só os bonitos podiam vê-lo! A velha metida à Mãe Dinah garantia que ao lado dela estava um ET (ao vivo) que lhe passava informações sobre o futuro e sobre o temido fim do mundo!

Independente de verdade ou mentira, estranho ou ridículo, humano ou sobrenatural, acho que estamos nos desviando do que realmente deveria ser o foco do assunto. Muitas pessoas se impressionam quando ouvem falar sobre o aquecimento global, sobre o calendário maia, ou sobre a teoria das abelhas de Einstein, e se esquecem de que a morte é verdade na vida de todo mundo. Antítese não?! É como um louco que estuda e faz pesquisas e experimentos para chegar a um resultado em relação ao fim do mundo! E se ele conseguir? E se ele algum dia encontrar a verdade sobre o fim? E se ele descobrir quando e como vai ser? De que vai adiantar? O que ele vai mudar? Bom seria se ele descobrisse como adiar ou editar esse destino!

Idiotice especularmos sobre um fim que de alguma forma, algum dia, vai chegar. Só queria deixar esse “toque”: Pra quem acredita em algo após a morte, busque isso. Busque esse propósito, de viver não só para a sua vida carnal, mas para a vida após a morte do seu corpo. Pra quem acredita no fim absoluto depois da morte, sem deixar de se preocupar com o futuro, viva o seu presente. Viver é preciso. Aproveitar o tempo que temos é preciso. Ainda mais porque o mundo pode durar até 2012, mas nós podemos não durar até amanhã! Realidade mortificante.

*Sensitiva: Pessoa, ou não, que possui poderes sobrenaturais de prever o futuro. Vidente.

16/11/2009

O tempo não pode levar.

Antes de qualquer coisa, peço desculpas ao pessoal, pelo meu desfalque esse tempo todo. Ando correndo atrás do relógio, mas ele tem sido bem rápido! E é bem provável que isso não esteja acontecendo só comigo. Muita gente tem feito coisas demais e consequentemente abrindo mão de outras coisas, muitas vezes até mesmo obrigatoriamente.

Tempo. Uma palavra simples. Um significado complicado. Eu ainda procuro o meu. Espero que você já tenha achado. As pessoas rotulam tudo aquilo que chamam de vida dizendo que esta mesma é simples. A realidade mais fria e cruel é que a vida nunca foi nem nunca será tão simples. É preciso uma consciência de que sem esforço, não há o alívio de saber que seu pãozinho está garantido.

Sem dramaticidade, sacrifícios sempre são necessários. Apenas precisamos aprender a conviver com duas dúzias de horas. Que a situação pode ficar preta quanto lhe faltar tempo para tudo, disso não tenha dúvidas. Somente precisamos relaxar e ao mesmo tempo não parar, porque uma hora o tempo vai cansar da gente. É aí que pegamos ele!

Texto publicado no blog The New Yoki Times, 7 de Novembro de 2009

02/11/2009

Redação

"A uma turma de alunos do segundo grau, com cerca de quinze anos de idade em média, foram explicadas as muitas formas de preconceito e a distinção entre o que é formalizado e o assumido e o sutil e disfarçado, como no Brasil. O professor propôs uma experiência a cerca de dez voluntários. Consistia em se atar uma fita de cor laranja na testa dos alunos e mantê-la em diferentes ambientes, sem que se esclarecesse sua razão. O resultado da experiência foi, literalmente, aterrador, mas uma oportunidade excelente para que possamos refletir sobre nossa educação, valores e sobre o roteiro que estamos imprimindo à nossa juventude.
Desnecessário seria afirmar que esses jovens, por usar uma fita inocente, sofreram todo o tipo de rejeição imaginável. Desde singelos apelos de professores para que a tirassem em nome de uma uniformidade disciplinar, até pais que se rebelaram com o pedido para que esperassem uma semana para conhecer a razão do gesto insólito. Uma semana depois os alunos puderam tirar as fitas da testa, revelar os objetivos do experimento e relatar de forma minuciosa toda a segregação sofrida e toda a violência que o seu gesto causou. Mas, além do fato circunscrito, fica a grande indagação: os jovens puderam tirar a fita que os fazia “diferentes”, mas os negros, os índios, os favelados, os velhos e outros tantos jamais poderão tirar o estigma que os distingue e a marca que os faz sofrer. De repente, ser diferente deixa de refletir características de individualidade para se transformar em rótulos intolerados que buscamos extirpar.
Um homem é um homem, independentemente da cor de sua pele, da sua idade, conta bancária ou fita na testa?"

Celson Antunes


Foi baseado e influenciado por esse texto que no período de dezenove a vinte e seis de outubro, me aventurei com uma fita verde na testa (obviamente não arranjei uma fita laranja). Me vonlutariei solitariamente a ser cobaia desse experimento, e pra falar a verdade não foi nada bom. Sei o que você pensa, porque também era o que pensava sobre uma fitinha na testa que não me traria problemas e vergonha alguma. Mas sem poder tirá-la por uma semana inteira, passei por situações constrangedoras onde me senti o sujeito mais estanho com a testa verde.
Confesso eu que ocorreram três situações nos sete dias de fita em que fui um frouxo parlapatão e tirei a fita da testa para não passar vergonha. A primeira ocorreu no elevador do meu prédio, ao lado da minha antiga amiga Bruna Soares, que já reside por aqui há umas duas semanas e eu só fui saber agora! A segunda aconteceu quarta feira, quando eu passava em frente ao Olho Sozinho (Colégio Único). Não consegui ser um ponto azul com a testa verde no meio daquelas centenas de pontos pretos. A terceira situação se sucedeu no aniversário da minha tia Dorila sábado à noite. Jantei na Casa do Peixe com a minha família, depois me encontrei com uns “mano” que estavam lanchando e durante todo esse tempo minha testa não foi verde!
Todavia, essas três situações não me livraram de uma semana sofrida. O preconceito realmente existe dentro de uma pessoa quando ela te olha e te julga “diferente” por causa de uma fita na testa. Não foi fácil pra eu sair na rua, ou ir à padaria, ir ao colégio, tendo de reparar em todos os estranhos que me olhavam e todos os conhecidos que vinham perguntar: que porra é essa?

De repente, ser diferente deixa de refletir características de individualidade para se transformar em rótulos intolerados que buscamos extirpar.


18/10/2009

Indicador

Pra nós nunca bastou sermos quem somos, ver o que é, e compreender o que os outros são. Pra nós nunca foi o bastante viver com quem é apenas o que é. E para os outros, nós nunca fomos o bastante. Pra nós nunca foi o suficiente a verdade, e ela nunca será. Nunca será o suficiente apenas ouvir e não só falar. Pra nós nunca vai ser satisfatório termos só quem temos, ou estarmos só com quem nos quer. Afinal nunca foi, e nunca será o bastante ter tudo o que temos de bom. Sempre vamos precisar apontar o dedo. Cada um pra um lado!

03/10/2009

Trocados



Era uma noite fria de Julho. Não tão fria pra quem já nasceu no Rio de Janeiro, mas fazia Divino usar duas blusas por baixo de um casaco. Ele que veio do interior, viveu se acostumando com o calor do sol no dia, e às noites abafadas. E apesar de hoje estar morando no “Rio 40 graus”, não se dá muito bem com as noites frias do inverno na cidade grande.

Divino passou pra faculdade de direito no Rio de Janeiro, e estuda junto com um dos seus antigos amigos da escola. Hícaro, um menino muito bom, inteligente, mas não tão aplicado como Divino. Naquela noite os dois voltavam de uma cansativa aula, e se alegravam em saber que só precisariam andar poucas ruas para chegarem em casa. Conseguiram, com muita sorte, um bom apartamento perto da universidade. Isso facilitava muito a vida de Divino e Hícaro, que eram sempre pontuais nas aulas.

Voltando juntos para casa, já bem tarde da noite, na esquina da última rua, havia um velho deitado na calçada, magro, barbudo e com uma voz fina que dizia:

- Ô meus queridos, vocês não poderiam me dar uma ajudinha pra eu comprar um pão...

Os dois olhavam parados para o mendigo que estendia a mão pra eles. Divino ficou indeciso por um segundo, ele tinha alguns trocados na carteira, mas não sabia se queria dar seu dinheiro pra um sujeito que provavelmente vai usar para comprar bebida, e não pão. Hícaro começou então, pouco a pouco empurrar Divino, querendo forçar ele a passar direto sem dar atenção ao mendigo.

- Só uns trocadinhos pra eu comer... – O velho continuava com a mão estendida.

Divino deu um tapa no seu amigo e se abaixou para conversar com o mendigo:

- O senhor vai mesmo comprar pão, se eu te der um dinheiro?

- Claro meu jovem, vou bem alí, amanha cedo, comprar um pão...

Ele apontava para uma um bar, onde estavam uns aposentados barrigudos, virando algumas latas de bebida.

- Mas aquilo é um bar, não vende pão ali senhor. Olha, tem uma padaria na esquina da rua aqui de trás, se eu te der alguns trocados, o senhor promete que vai guardar esse dinheiro para comprar pão amanhã.

- Ô, mas é claro meu jovem!

Divino então tirou uns dois ou três reais da carteira e entregou ao mendigo, que abriu um grande sorriso segurando o dinheiro, e disse:

- Ô meu jovem, que Deus o abençoe!

Divino sorriu, levantou e continuou andando.

Durante aquele pequeno trajeto, de onde estavam com o mendigo, até a casa deles, Hícaro não parava de falar no ouvido de Divino, dizendo que foi burrice ter dado o dinheiro pro velho, que ele com certeza estava mentindo, e que com certeza iria comprar bebida com aquele dinheiro. Mas Divino não se sentiu mal pelo que fez, com uma sábia serenidade, virou-se para Hícaro e disse:

- O dinheiro que eu dei, é para comprar pão. Mas a partir do momento em que o dinheiro não é mais meu, a forma com que ele é usado não é problema meu, Hícaro. Mas o dinheiro que eu dei, foi pra comprar pão!

Logo quando chegaram em casa, Hícaro foi até a janela, colocou comida na gaiola do passarinho, e sem intenção nenhuma olhou para a rua. Naquele exato momento, Hícaro viu o mendigo, do outro lado da rua, com o dinheiro de Divino na mão, entregando-o ao balconista do bar, em troca de uma lata de cerveja!